Lesão do LCA em adolescentes: quando operar?

11 de agosto de 2026

A lesão do LCA em adolescentes é uma das lesões mais preocupantes para jovens que praticam esportes.

Ela ocorre, principalmente, entre aqueles que executam corridas, saltos e mudanças bruscas de direção. 


Embora nem todos os casos exigem cirurgia, a decisão sobre operar ou não deve ser feita de forma personalizada.


Precisamos considerar a idade do paciente, o estágio de crescimento, o grau de instabilidade do joelho e o nível de atividade física. 


O tratamento realizado no momento certo é essencial para proteger a articulação e reduzir o risco de lesões futuras.


O que é o LCA e qual sua função no joelho?


O ligamento cruzado anterior (LCA) é uma das principais estruturas responsáveis pela estabilidade do joelho. 


Ele impede que a tíbia deslize excessivamente para frente em relação ao fêmur e auxilia no controle dos movimentos de rotação da articulação.


Segundo a American Academy of Orthopaedic Surgeons (AAOS), o LCA é frequentemente lesionado durante movimentos de mudança rápida de direção, aterrissagens após saltos ou desacelerações bruscas, especialmente em esportes como futebol, basquete, handebol, vôlei e ginástica.


Quando ocorre sua ruptura, o joelho pode perder estabilidade, comprometendo tanto a prática esportiva quanto as atividades do dia a dia.


Quais são os sintomas da lesão do LCA?


Na maioria das vezes, a lesão acontece de forma súbita durante a prática esportiva. 


Muitos pacientes relatam ouvir ou sentir um estalo no momento do trauma, seguido por dor intensa e dificuldade para continuar a atividade.


Os principais sinais incluem:


  • Estalo no momento da lesão;
  • Dor intensa no joelho;
  • Inchaço nas primeiras horas após o trauma;
  • Sensação de falseio ou instabilidade;
  • Dificuldade para caminhar;
  • Perda de confiança para correr, saltar ou mudar de direção.


Quando esses sintomas estão presentes, é importante procurar avaliação especializada o quanto antes.


Como realizamos o diagnóstico?


O diagnóstico do ligamento cruzado anterior (LCA) começa com uma avaliação clínica detalhada. 


Durante a consulta, investigamos como ocorreu o trauma, quais movimentos provocaram a lesão e quais sintomas o adolescente apresenta.


No exame físico, realizamos testes específicos para avaliar a estabilidade do joelho e identificar sinais de ruptura do LCA. 


Para confirmar o diagnóstico e verificar se existem lesões associadas, como danos aos meniscos, cartilagem ou outros ligamentos, normalmente solicitamos uma ressonância magnética.


Também podemos realizar radiografias para avaliar possíveis lesões ósseas e analisar as placas de crescimento, informação essencial para o planejamento do tratamento.


Todo adolescente com lesão do LCA precisa operar?


Não necessariamente. 


Em adolescentes com baixa demanda física, sem episódios de instabilidade e que conseguem manter boa função do joelho, o tratamento conservador pode ser uma alternativa em situações específicas. 


Esse tratamento envolve fisioterapia para o joelho, fortalecimento muscular, reabilitação neuromuscular e acompanhamento periódico.


Entretanto, em adolescentes que praticam esportes com movimentos de pivô, apresentam instabilidade recorrente ou desejam retornar ao esporte competitivo, costumamos indicar a cirurgia.


Isso porque, um joelho instável aumenta bastante o risco de novas lesões nos meniscos e na cartilagem, podendo acelerar o desgaste da articulação.


Quando indicamos a cirurgia?


A decisão pela cirurgia leva em consideração não apenas a ruptura do ligamento, mas também o impacto funcional da lesão.


As principais situações em que costumamos recomendar a reconstrução do LCA incluem:


  • Instabilidade recorrente do joelho;
  • Prática de esportes com mudanças bruscas de direção;
  • Lesões do menisco ou da cartilagem;
  • Episódios repetidos de falseio;
  • Desejo de retorno ao esporte competitivo;
  • Risco elevado de novas lesões articulares.


Atualmente, técnicas específicas permitem reconstruir o LCA respeitando as placas de crescimento, reduzindo o risco de interferência no desenvolvimento ósseo.


Como realizamos a cirurgia do LCA em adolescentes?


A reconstrução do LCA é realizada por artroscopia.


Essa é uma técnica minimamente invasiva que utiliza pequenas incisões e uma câmera para visualizar o interior do joelho.


Dessa forma, substituímos o ligamento rompido por um enxerto, geralmente obtido do próprio paciente. 


O planejamento cirúrgico é individualizado, principalmente em adolescentes que ainda estão em fase de crescimento, utilizando técnicas apropriadas para preservar as placas de crescimento sempre que possível.


Essa abordagem permite restaurar a estabilidade do joelho e reduzir o risco de novas lesões ao longo dos anos.


Como funciona a recuperação da cirurgia de LCA em jovens?


A cirurgia representa apenas uma etapa do tratamento. 


A recuperação depende diretamente de um programa estruturado de reabilitação.


A fisioterapia começa logo após o procedimento e tem como objetivos controlar a dor, recuperar os movimentos, fortalecer a musculatura e restabelecer a estabilidade do joelho. 


Com a evolução da recuperação, prescrevemos ao adolescente exercícios específicos para equilíbrio, coordenação e gestos esportivos.


O retorno ao esporte acontece de forma gradual e somente após critérios objetivos de força, estabilidade e desempenho funcional serem atingidos. 



Em muitos casos, esse processo leva entre nove e doze meses, dependendo da evolução individual.


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O que acontece se não tratamos essa lesão?


Quando um adolescente com ruptura do LCA continua praticando esportes com um joelho instável, aumentam as chances de novas lesões meniscais e danos à cartilagem. 


Com o tempo, essas alterações podem favorecer o desenvolvimento precoce de desgaste articular e comprometer a função do joelho na vida adulta.


De acordo com a American Academy of Orthopaedic Surgeons (AAOS), a instabilidade causada pela lesão do LCA pode provocar episódios repetidos de falseio do joelho.


O quadro aumenta o risco de lesões secundárias nos meniscos e na cartilagem sempre que o paciente retorna às atividades sem o tratamento adequado. 


Esses danos associados podem tornar a recuperação mais complexa e elevar o risco de desenvolver osteoartrite (artrose) anos após a lesão, especialmente em pacientes jovens e fisicamente ativos.


Conte com a experiência do Dr. Diego Munhoz no tratamento da lesão do LCA em adolescentes 


O tratamento da lesão do LCA em adolescentes exige experiência e conhecimento das particularidades do joelho em fase de crescimento. 


A escolha entre tratamento conservador e cirurgia deve ser baseada em uma avaliação individualizada, sempre priorizando a preservação da articulação e um retorno seguro às atividades.


O Dr. Diego Munhoz é especialista em joelho, lesões esportivas e médico assistente voluntário do grupo de ortopedia pediátrica do Instituto de Ortopedia e Traumatologia da Faculdade de Medicina da USP.


Ele atua no diagnóstico e tratamento de lesões ligamentares em crianças, adolescentes e adultos, utilizando abordagens modernas, baseadas em evidências científicas e adaptadas às necessidades de cada paciente.


Se seu filho sofreu uma lesão no joelho, apresenta episódios de instabilidade ou recebeu o diagnóstico de ruptura do LCA, agende uma consulta com o Dr. Diego Munhoz


Uma avaliação especializada é essencial para definir o tratamento mais adequado e garantir um retorno seguro ao esporte.


FAQ – Lesão do LCA em adolescentes



  • Lesão do LCA em adolescentes sempre precisa de cirurgia?

    Não. O tratamento depende do grau de instabilidade do joelho, da fase de crescimento, da prática esportiva e dos objetivos do adolescente. 

    Em alguns casos, o tratamento conservador pode ser suficiente.


  • Quais são os principais sintomas da lesão do LCA em adolescentes?

    Os sintomas mais comuns são estalo no momento da lesão, dor intensa, inchaço nas primeiras horas, sensação de falseio, dificuldade para caminhar e insegurança para correr ou mudar de direção.

  • Quando indicamos a cirurgia para lesão do LCA em adolescentes?

    Costumamos indicar a cirurgia quando há instabilidade recorrente do joelho, lesões associadas nos meniscos e cartilagem, prática de esportes com mudanças bruscas de direção ou desejo de retorno ao esporte competitivo.

  • Quanto tempo demora a recuperação da cirurgia do LCA em adolescentes?

    A recuperação varia conforme cada paciente.

    Contudo, o retorno ao esporte geralmente ocorre entre 9 e 12 meses, após fisioterapia e reabilitação específicas para recuperar força, estabilidade e controle dos movimentos.


  • O que acontece se a lesão do LCA não for tratada?

    Um joelho instável aumenta o risco de novas lesões nos meniscos e na cartilagem. Isso pode favorecer o desgaste precoce da articulação e aumentar a chance de desenvolver artrose no futuro.

  • Adolescentes podem fazer cirurgia do LCA mesmo estando em fase de crescimento?

    Sim. Atualmente, existem técnicas cirúrgicas específicas que respeitam as placas de crescimento, permitindo reconstruir o LCA com segurança em adolescentes selecionados.

  • Quando procurar um especialista em lesão do LCA em adolescentes?

    A avaliação deve ser feita o mais rápido possível após um trauma no joelho, principalmente se houver estalo, inchaço, dor intensa ou sensação de instabilidade. O diagnóstico precoce ajuda a definir o tratamento mais adequado e reduz o risco de complicações futuras.

Dr. Diego Munhoz

Médico ortopedista especialista em cirurgia de joelho graduado pelo Instituto de Ortopedia e Traumatologia da Faculdade de Medicina da USP.

Acompanha com proximidade o quadro clínico do paciente e atua do diagnóstico a reabilitação!

  • Graduado em medicina pela Universidade de São Paulo (USP);
  • Residência em Ortopedia pelo Instituto de Ortopedia e Traumatologia da Faculdade de Medicina da USP (IOT HC FMUSP);
  • Especialização em cirurgia de Joelho pelo Instituto de Ortopedia e Traumatologia da Faculdade de Medicina da USP (IOT HC FMUSP);
  • Preceptor dos residentes de ortopedia durante o ano de 2018 no Instituto de Ortopedia e Traumatologia da Faculdade de Medicina da USP (IOT HC FMUSP);
  • Preceptor dos alunos de medicina(internos) durante o ano de 2019 Faculdade de Medicina da USP (IOT HC FMUSP);
  • Habilitado em Cirurgia Robótica do Joelho;
  • Membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia do Joelho;
  • Membro da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia;
  • Atualmente, cursa doutorado pelo Instituto de Ortopedia e Traumatologia da Faculdade de Medicina da USP (IOT HC FMUSP).
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