Dor patelofemoral em adolescentes: causas e tratamento
A dor patelofemoral em adolescentes é uma condição bastante comum e costuma provocar desconforto na parte da frente do joelho.
Isso pode ocorrer principalmente durante atividades como correr, saltar, agachar ou subir e descer escadas.
Na maioria dos casos, o tratamento é conservador e envolve ajuste da carga esportiva, fisioterapia e fortalecimento muscular.
O diagnóstico correto, porém, é fundamental para diferenciar a dor patelofemoral de outras doenças do joelho.
O que é a dor patelofemoral?
A síndrome da dor patelofemoral é caracterizada por dor na região anterior do joelho, especialmente ao redor ou atrás da patela.
A patela é um pequeno osso localizado na parte da frente do joelho e participa do mecanismo extensor da perna.
Durante movimentos como agachamento, corrida e subida de escadas, ela desliza sobre uma região do fêmur chamada tróclea.
Quando há aumento da carga sobre essa articulação ou alterações no controle dos movimentos, o adolescente pode desenvolver dor durante determinadas atividades.
É importante destacar que a dor patelofemoral não significa necessariamente que exista uma lesão grave ou desgaste da cartilagem.
Quais são os principais sintomas da dor patelofemoral em adolescentes?
O sintoma mais característico é a dor na parte da frente do joelho.
Ela pode aparecer ou piorar durante:
- Corridas;
- Saltos;
- Agachamentos;
- Subida ou descida de escadas;
- Caminhadas prolongadas;
- Atividades esportivas;
- Permanência prolongada sentado com o joelho dobrado.
Alguns adolescentes também relatam estalos ou sensação de pressão na região da patela.
A intensidade da dor pode variar bastante.
Em alguns casos, o adolescente consegue continuar praticando esportes, mas apresenta desconforto depois dos treinos.
Em outros, a dor pode limitar atividades simples do dia a dia.
Por que a dor patelofemoral em adolescentes ocorre?
Existem diferentes fatores que podem contribuir para o desenvolvimento do problema.
Entre eles estão:
- Aumento repentino da intensidade dos treinos;
- Excesso de atividades esportivas;
- Fraqueza dos músculos da coxa e do quadril;
- Alterações no controle dos movimentos;
- Desequilíbrios musculares;
- Alterações biomecânicas dos membros inferiores;
- Falta de recuperação entre os treinos;
- Mudanças rápidas relacionadas ao crescimento.
Em adolescentes que praticam esportes, também precisamos avaliar se houve aumento recente da frequência ou da intensidade dos treinamentos.
Por isso, muitas vezes o problema não está em um único exercício, mas na combinação entre carga, técnica, recuperação e capacidade muscular.
A prática esportiva pode piorar a dor patelofemoral?
Pode, principalmente quando existe aumento rápido da carga ou quando o adolescente continua treinando apesar de apresentar dor significativa.
Isso não significa que seja necessário abandonar completamente o esporte.
Na maioria dos casos, conseguimos adaptar temporariamente a intensidade, volume ou tipo de exercício enquanto trabalhamos a força e o controle dos movimentos.
A American Academy of Orthopaedic Surgeons (AAOS) recomenda programas de condicionamento que trabalhem força e flexibilidade de forma adequada e sob orientação profissional.
A entidade também destaca que o fortalecimento da musculatura de suporte pode ajudar na estabilidade e na prevenção de novas lesões.
Como fazemos o diagnóstico?
O diagnóstico da dor patelofemoral é principalmente clínico.
Durante a consulta, investigamos quando os sintomas começaram, quais atividades provocam a dor, a rotina esportiva e se houve aumento recente da carga de treinamento.
No exame físico, avaliamos a mobilidade do joelho, alinhamento dos membros inferiores, força muscular, funcionamento da patela e controle dos movimentos.
Também observamos como o adolescente realiza determinados movimentos, como agachar ou apoiar o peso em uma perna.
Exames de imagem nem sempre são necessários.
Quando existem sinais atípicos, trauma, sintomas persistentes ou suspeita de outra doença, podemos solicitar radiografias ou ressonância magnética.
Quais outras doenças podem causar dor na frente do joelho?
Essa diferenciação é muito importante.
A dor anterior do joelho pode estar relacionada a diferentes condições, como:
- Síndrome de Osgood-Schlatter;
- Tendinopatia patelar;
- Instabilidade da patela;
- Lesões da cartilagem;
- Osteocondrite dissecante;
- Lesões meniscais;
- Alterações do alinhamento;
- Outras causas de dor musculoesquelética.
Por isso, não devemos simplesmente assumir que toda dor na frente do joelho em um adolescente é síndrome patelofemoral.
Uma avaliação completa permite identificar a origem do problema e evitar tratamentos inadequados.
Como tratamos a dor patelofemoral em adolescentes?
Na maioria dos casos, o tratamento é conservador.
O principal objetivo é reduzir a dor e melhorar a capacidade do joelho de suportar as atividades realizadas pelo adolescente.
Podemos utilizar uma combinação de estratégias, como:
- Ajuste temporário da carga esportiva;
- Fisioterapia;
- Fortalecimento dos músculos da coxa e do quadril;
- Exercícios para melhorar o controle dos movimentos;
- Treinamento de equilíbrio e coordenação;
- Alongamentos quando necessários;
- Retorno progressivo ao esporte.
O fortalecimento muscular é uma das partes mais importantes da reabilitação, porque melhora o controle do membro inferior e pode reduzir a sobrecarga sobre a articulação patelofemoral.
É necessário parar de praticar esportes?
Não necessariamente. Em muitos adolescentes, conseguimos manter algum nível de atividade física enquanto reduzimos temporariamente os exercícios que provocam dor.
Por exemplo, podemos diminuir a frequência dos treinos, reduzir atividades de impacto ou substituir determinados exercícios por outros que provoquem menos sintomas.
Conforme a força e a capacidade funcional melhoram, aumentamos progressivamente a carga até que o adolescente consiga retornar ao esporte habitual.

Nosso objetivo não é simplesmente eliminar a dor, mas preparar o joelho para suportar novamente as demandas esportivas.
A dor patelofemoral pode causar problemas no futuro?
Na maioria dos casos, a evolução é favorável quando realizamos o diagnóstico e o tratamento adequadamente.
Entretanto, adolescentes que permanecem com dor por períodos prolongados podem reduzir a prática de atividades físicas, perder força muscular e desenvolver receio de determinados movimentos.
Além disso, precisamos confirmar o diagnóstico, porque outras condições que provocam dor anterior no joelho podem exigir tratamentos diferentes.
Por isso, quando a dor persiste apesar da redução da carga ou interfere na rotina, recomendamos uma avaliação especializada.
Quando procurar o especialista em joelho?
Procure avaliação médica especializada quando:
- A dor no joelho persiste por várias semanas;
- Existe inchaço;
- O joelho trava;
- O adolescente apresenta sensação de falseio;
- A dor surgiu após um trauma;
- Há perda de movimento;
- O adolescente não consegue praticar seu esporte normalmente;
- A dor não melhora mesmo com redução da carga.
Esses sinais não significam necessariamente uma lesão grave, mas indicam que é necessário investigar melhor a causa.
Dor patelofemoral em adolescentes: conte com o Dr. Diego Munhoz
O tratamento da dor patelofemoral em adolescentes deve levar em consideração não apenas o local da dor.
Além disso, devemos analisar a fase de crescimento, a prática esportiva, a força muscular e a biomecânica de cada paciente.
O Dr. Diego Munhoz é especialista em cirurgia do joelho e médico assistente voluntário do grupo de ortopedia pediátrica do Instituto de Ortopedia e Traumatologia da Faculdade de Medicina da USP (IOT HC FMUSP).
Atua no diagnóstico e tratamento das principais doenças e lesões do joelho em crianças, adolescentes e adultos.
A abordagem é individualizada e pode incluir fisioterapia, fortalecimento muscular, controle da carga esportiva, reabilitação e, quando realmente necessário, procedimentos especializados.
Se seu filho ou filha apresenta dor na parte da frente do joelho durante corridas, agachamentos, saltos ou atividades esportivas, agende uma consulta com o Dr. Diego Munhoz.
Uma avaliação especializada é indispensável para identificar a causa da dor e definir um tratamento seguro, permitindo um retorno progressivo e adequado às atividades.
FAQ – Dor patelofemoral em adolescentes
O que é dor patelofemoral em adolescentes?
É uma condição que provoca dor na parte da frente do joelho, geralmente ao redor ou atrás da patela, especialmente durante corrida, agachamento, saltos e escadas.
O que causa dor patelofemoral em adolescentes?
Pode estar relacionada à sobrecarga esportiva, aumento rápido dos treinos, fraqueza muscular, alterações biomecânicas e dificuldade de controle dos movimentos.
Como tratamos a dor patelofemoral em adolescentes?
O tratamento geralmente envolve fisioterapia, fortalecimento dos músculos da coxa e quadril, adaptação temporária da carga esportiva e retorno progressivo às atividades.
Adolescente com dor patelofemoral precisa parar de praticar esportes?
Não necessariamente. Em muitos casos, é possível adaptar os treinos e reduzir temporariamente as atividades que provocam dor.
Dor patelofemoral pode ser sinal de problema grave?
Na maioria das vezes, não. Porém, dor persistente, inchaço, travamento, instabilidade ou sintomas após trauma precisam ser avaliados para descartar outras doenças do joelho.
Precisa fazer ressonância para diagnosticar dor patelofemoral?
Nem sempre. O diagnóstico costuma ser clínico, mas exames de imagem podem ser solicitados quando há suspeita de outras alterações ou quando os sintomas persistem.
Quanto tempo demora para melhorar a dor patelofemoral?
O tempo varia conforme a intensidade dos sintomas e a resposta ao tratamento. Muitos adolescentes melhoram com fisioterapia e ajuste da carga, mas alguns precisam de uma reabilitação mais prolongada.
Quando procurar o especialista em joelho infantil?
Quando a dor é persistente, interfere nos esportes ou atividades diárias, ocorre com inchaço, travamento, falseio ou não melhora com a redução da carga.
Dr. Diego Munhoz
Médico ortopedista especialista em cirurgia de joelho graduado pelo Instituto de Ortopedia e Traumatologia da Faculdade de Medicina da USP.
Acompanha com proximidade o quadro clínico do paciente e atua do diagnóstico a reabilitação!
- Graduado em medicina pela Universidade de São Paulo (USP);
- Residência em Ortopedia pelo Instituto de Ortopedia e Traumatologia da Faculdade de Medicina da USP (IOT HC FMUSP);
- Especialização em cirurgia de Joelho pelo Instituto de Ortopedia e Traumatologia da Faculdade de Medicina da USP (IOT HC FMUSP);
- Preceptor dos residentes de ortopedia durante o ano de 2018 no Instituto de Ortopedia e Traumatologia da Faculdade de Medicina da USP (IOT HC FMUSP);
- Preceptor dos alunos de medicina(internos) durante o ano de 2019 Faculdade de Medicina da USP (IOT HC FMUSP);
- Habilitado em Cirurgia Robótica do Joelho;
- Membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia do Joelho;
- Membro da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia;
- Atualmente, cursa doutorado pelo Instituto de Ortopedia e Traumatologia da Faculdade de Medicina da USP (IOT HC FMUSP).









