Dr. Diego Munhoz explica: lesão no bíceps femoral pode afastar atletas e exige atenção

9 de junho de 2026

Quer saber por que a lesão no bíceps femoral acontece com tanta frequência e em quais situações o tratamento precisa ser mais especializado? 

O bíceps femoral é uma estrutura muscular fundamental para movimentos como arrancadas, mudanças bruscas de direção e ações de alta intensidade.


Justamente por essa alta demanda, lesões nessa região podem surgir de forma inesperada, comprometendo desempenho, sequência de treinos e até o retorno às competições. 


Nos últimos anos, esse tipo de lesão tem chamado cada vez mais atenção pela frequência com que aparece em modalidades que exigem velocidade, potência e resposta muscular explosiva.


Dr. Diego Munhoz, especialista em cirurgia do joelho pelo Instituto de Ortopedia e Traumatologia da Faculdade de Medicina da USP, falou à ESPN Brasil sobre esse tema e explicou por que a lesão no bíceps femoral pode afastar atletas das atividades por semanas, ou até meses, dependendo da gravidade.


O que é o bíceps femoral e qual a sua importância para o movimento?



O bíceps femoral faz parte do grupo muscular dos isquiotibiais, localizado na parte posterior da coxa. 


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Ele atua diretamente em movimentos fundamentais para a performance esportiva, como flexão do joelho, extensão do quadril, arrancadas, saltos e desacelerações. 


Em esportes que exigem explosão muscular, esse músculo trabalha intensamente para gerar potência e estabilidade durante os movimentos.


Por isso, qualquer alteração nessa estrutura pode impactar força, velocidade e controle motor, comprometendo o desempenho esportivo.


O que é uma lesão no bíceps femoral? Por que essa lesão é tão comum em atletas?


A lesão no bíceps femoral acontece quando as fibras musculares ou tendíneas sofrem um estiramento excessivo ou ruptura parcial ou completa. 


Isso geralmente ocorre durante movimentos explosivos, principalmente quando o músculo é submetido a alta carga em um curto espaço de tempo.


Dependendo da gravidade, a lesão pode variar desde um pequeno edema muscular até rupturas importantes com perda funcional significativa.


Essa é uma das lesões musculares mais frequentes em atletas porque o bíceps femoral é constantemente exigido em modalidades com sprint, aceleração e mudanças rápidas de direção.


Assim, esportes com maior risco incluem:


  • Corridas de velocidade; 
  • Futebol;
  • Esportes com explosão muscular; 
  • Modalidades com mudanças bruscas de direção; 
  • Atividades com aceleração e frenagem constantes; 
  • Treinos de potência e alta intensidade. 


Durante esses movimentos, o músculo precisa desacelerar a perna e gerar força ao mesmo tempo, o que aumenta muito a tensão sobre as fibras musculares.


Quais são os primeiros sintomas de uma lesão no bíceps femoral?


Os sintomas costumam surgir de forma súbita durante a prática esportiva.


Assim, o atleta precisa estar atento aos seguintes sinais:


  • Dor aguda ou sensação de “fisgada” na parte de trás da coxa; 
  • Sensação de estalo no momento da lesão; 
  • Perda de força para correr ou acelerar; 
  • Dificuldade para caminhar ou mudar de direção; 
  • Sensibilidade ao toque na região lesionada;
  • Em alguns casos, hematoma ou inchaço local 


Quanto maior a lesão, maior tende a ser a limitação funcional.


Como fazemos o diagnóstico da lesão no bíceps femoral?


Durante a consulta, analisamos os sintomas e investigamos o histórico de lesões anteriores, intensidade da rotina esportiva e possíveis fatores de sobrecarga muscular. 


Em seguida, realizamos o exame físico para avaliar dor à palpação, presença de edema, hematomas, limitação de movimento, perda de força muscular e possíveis sinais de ruptura mais importante.


Para confirmar o diagnóstico e entender a extensão da lesão, frequentemente complementamos a investigação com exames de imagem. 


O ultrassom musculoesquelético pode ajudar na avaliação inicial, principalmente para identificar edema muscular, hematomas e rupturas das fibras. 


Já a ressonância magnética costuma ser o exame mais preciso.


Ele nos permite visualizar com mais detalhes a localização da lesão, o grau de comprometimento das fibras musculares e tendíneas e o tamanho da área lesionada. 


Quais são os graus da lesão muscular e como funciona o tratamento?


Classificamos as lesões do bíceps femoral em três graus, e essa definição é importante para orientar o tratamento e estimar o tempo de recuperação. 


Nas lesões de grau 1, ocorre um estiramento leve das fibras musculares, geralmente com dor localizada e pouca limitação funcional. 


Nesses casos, fazemos o controle da dor, redução temporária da carga esportiva e fisioterapia para recuperação da força e da mobilidade.


Nas lesões de grau 2, há uma ruptura parcial das fibras, causando dor mais intensa, perda de força e dificuldade para correr ou realizar movimentos explosivos. 


Também abordamos de forma conservadora, mas exige uma reabilitação mais cuidadosa e progressiva.


Já nas lesões de grau 3, ocorre uma ruptura completa do músculo ou do tendão, com perda importante da função e limitação significativa. 


Dependendo da gravidade e do perfil do paciente, podemos fazer indicação cirúrgica. 



Em todos os casos, nosso foco é garantir uma recuperação completa e um retorno seguro ao esporte, reduzindo o risco de novas lesões.


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Quanto tempo leva para recuperar uma lesão no bíceps femoral? Quando a cirurgia pode ser necessária?


Em lesões mais leves, o retorno às atividades pode acontecer em cerca de uma a três semanas. 


Nos casos moderados, com ruptura parcial das fibras, a recuperação costuma levar entre quatro e oito semanas. 


Já nas lesões mais graves, com rupturas completas ou lesões tendíneas mais extensas, esse processo pode ultrapassar três meses. 


Mais importante do que o tempo em si é garantir que o músculo recupere totalmente força, potência e controle para reduzir o risco de recidiva.


A cirurgia não é necessária na maioria dos casos, já que grande parte das lesões responde bem ao tratamento conservador com fisioterapia e reabilitação progressiva. 


Porém, podemos indicá-la em situações mais graves, como rupturas completas do músculo ou do tendão, arrancamentos tendíneos do osso, retração importante das fibras ou quando o paciente mantém dor, perda de força e limitação funcional mesmo após um tratamento bem conduzido. 


Em atletas e pacientes com alta demanda física, também levamos em consideração a necessidade de retorno seguro ao esporte e a preservação da performance muscular.


Confira a matéria completa da entrevista do Dr. Diego Munhoz à ESPN Brasil sobre a lesão no bíceps femoral, os riscos para atletas de alta performance e os principais cuidados para um retorno seguro ao esporte.


Se você sente dor na parte posterior da coxa, perdeu força durante treinos ou sofreu uma lesão muscular durante a prática esportiva, uma avaliação precoce pode fazer toda a diferença no tempo de recuperação e no retorno ao esporte. 



Agende uma consulta com o Dr. Diego Munhoz, especialista em joelho e lesões esportivas, e receba uma avaliação completa para um tratamento seguro, preciso e individualizado.


Dr. Diego Munhoz

Médico ortopedista especialista em cirurgia de joelho graduado pelo Instituto de Ortopedia e Traumatologia da Faculdade de Medicina da USP.

Acompanha com proximidade o quadro clínico do paciente e atua do diagnóstico a reabilitação!

  • Graduado em medicina pela Universidade de São Paulo (USP);
  • Residência em Ortopedia pelo Instituto de Ortopedia e Traumatologia da Faculdade de Medicina da USP (IOT HC FMUSP);
  • Especialização em cirurgia de Joelho pelo Instituto de Ortopedia e Traumatologia da Faculdade de Medicina da USP (IOT HC FMUSP);
  • Preceptor dos residentes de ortopedia durante o ano de 2018 no Instituto de Ortopedia e Traumatologia da Faculdade de Medicina da USP (IOT HC FMUSP);
  • Preceptor dos alunos de medicina(internos) durante o ano de 2019 Faculdade de Medicina da USP (IOT HC FMUSP);
  • Habilitado em Cirurgia Robótica do Joelho;
  • Membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia do Joelho;
  • Membro da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia;
  • Atualmente, cursa doutorado pelo Instituto de Ortopedia e Traumatologia da Faculdade de Medicina da USP (IOT HC FMUSP).
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